Uma
vez mais, como freqüentemente acontece com as grandes invenções,
quando falamos do vidro, estamos falando de oportunidade e acaso, pelo menos
conforme diz a antiga lenda contada por Plínio, o Ancião. A lenda
diz que um grupo de comerciantes que voltavam do Egito carregando grandes blocos
de salitre, parou para descansar nas margens do rio Belo. Decidiram então
preparar seu jantar, mas vendo que não havia nenhuma pedra sobre as
quais poderiam colocar seus utensílios de cozinha optaram por usar alguns
dos blocos que estavam transportando. O fogo que foi aceso debaixo dos blocos
de salitre continuou queimando durante toda a noite. Pela manhã os
comerciantes ficaram surpresos ao descobrir que, em lugar da areia do rio
e cinzas havia
um outro material, brilhante e transparente, e desse modo nasceu o vidro.
Embora seja apenas uma lenda, essa estória contém alguma verdade
histórica e científica. O vidro é formado apartir de uma
mistura de sílica (um mineral achado em areia de águas límpidas),
calcário (carbonato de cálcio) e barrilha (uma substância
alcalina que ajuda na fusão). Também é verdade que os anciões
conheciam a barrilha, que era obtida nas cinzas de algas e das plantas aquáticas.
A areia do rio Belo era bem apropriada, e foi muito procurada mais tarde para
a produção do vidro.
Além disso, provavelmente foram os comerciantes e marinheiros Fenícios
quem, graças a seu comércio, difundiram utensílios de vidro
e as técnicas para a sua produção ao longo de suas cidades-estado
no Mar Mediterrâneo.